PARTE FINAL CASO 1 - E O PEDIDO DE DESCULPAS PRA ALINE, CADE JU
Último post: Meu pedido de desculpas à Aline — e tudo o que veio depois
Esse último post é sobre algo que muita gente me pede — e até me cobra. Sempre aparece alguém dizendo:“Ju, mas você nunca pede desculpa, você só se faz de vítima. Por que você não pede desculpa pra Aline pelo que você fez?”
Pois é. Esse post é exatamente sobre isso: o meu pedido de desculpas para a Aline. Um pedido que aconteceu não dias, mas dois dias depois da primeira postagem dela sobre mim.
E eu quero contar para vocês como tudo aconteceu, porque diferente do que muitos pensam, eu não só pedi desculpas, como também me abri de verdade pra ela.
Naquele momento, a Aline tinha acabado de me “dar um chacoalhão” — e, apesar de tudo, ela trouxe de volta pra mim uma das maiores alegrias que eu já vivi na minha vida, um dia antes desse episódio todo. E foi por isso que, no dia 22, eu acordei, respirei fundo e enviei um áudio pra ela.
Aqui embaixo vou transcrever esse áudio completo (apenas cortando nomes de terceiros, por privacidade), para que fique claro: eu pedi desculpas, sim. Eu me coloquei no lugar dela, falei das minhas dores, reconheci meus erros, mostrei empatia, coisa que nunca foi feita comigo.
Eu estava chorando de verdade enquanto gravei. Falei que estava feliz, porque realmente estava. Talvez isso tenha incomodado. Talvez ela esperasse que eu me humilhasse, que eu implorasse para ela parar com os ataques, para me deixar em paz.
Mas o que eu fiz foi agradecer também, porque naquele momento difícil eu estava aprendendo — na marra — que precisava retomar o controle do meu ateliê, que estava sendo destruído por tudo isso, mas também por questões pessoais: burnout, depressão, ansiedade, saudades dos meus filhos, TDAH não tratado porque eu recusava tomar medicação (achando que o problema era “ser forte”, quando na verdade era uma questão de saúde).
Só que tudo que eu disse nesse áudio, tudo que eu revelei de mais íntimo, foi depois debochado por ela em público. O áudio foi repassado para outras pessoas e usado contra mim. Minhas dores viraram motivo de piada e ataques.
E aí, eu te pergunto:
Quem deveria desculpar quem nessa história?
Quem foi que realmente teve a vida destruída por causa de um vestido?
Vale mesmo a pena acabar com a vida de alguém porque não gostou do resultado de um vestido?
No fim das contas, um vestido é só isso. Vestido.
E a pergunta que fica: será que se eu fosse um estilista homem, padrão, famoso, ela teria feito a mesma coisa? Será que teria exposto e perseguido dessa forma? Ou teria aceitado o vestido e ainda se vangloriado por estar “usando a peça do estilista tal”?
Esse caso abre reflexões sérias sobre preconceito, ódio, e o machismo escancarado que existe na moda — está aí nos comentários pra quem quiser ver:
Me chamam de “costureira” como forma de me diminuir. Não tenho nenhum problema em ser chamada de costureira, o problema é que eu não sou costureira. Eu sou estilista, eu crio os vestidos. E existe, sim, diferença.
Engraçado que ESTILISTA homem nunca é chamado de “costureiro”. E quando corrige alguém, ninguém reclama, ninguém debocha.
Esse é o reflexo do machismo na moda.
Primeiro vou deixar aqui a transcrição completa do meu áudio de pedido de desculpas para a Aline, e depois faço uma conclusão geral desse caso para a gente seguir para o próximo
“Ju, mas você nunca pede desculpa, você só se faz de vítima. Por que você não pede desculpa pra Aline pelo que você fez?”
Pois é. Esse post é exatamente sobre isso: o meu pedido de desculpas para a Aline. Um pedido que aconteceu não dias, mas dois dias depois da primeira postagem dela sobre mim.
E eu quero contar para vocês como tudo aconteceu, porque diferente do que muitos pensam, eu não só pedi desculpas, como também me abri de verdade pra ela.
Naquele momento, a Aline tinha acabado de me “dar um chacoalhão” — e, apesar de tudo, ela trouxe de volta pra mim uma das maiores alegrias que eu já vivi na minha vida, um dia antes desse episódio todo. E foi por isso que, no dia 22, eu acordei, respirei fundo e enviei um áudio pra ela.
Aqui embaixo vou transcrever esse áudio completo (apenas cortando nomes de terceiros, por privacidade), para que fique claro: eu pedi desculpas, sim. Eu me coloquei no lugar dela, falei das minhas dores, reconheci meus erros, mostrei empatia, coisa que nunca foi feita comigo.
Eu estava chorando de verdade enquanto gravei. Falei que estava feliz, porque realmente estava. Talvez isso tenha incomodado. Talvez ela esperasse que eu me humilhasse, que eu implorasse para ela parar com os ataques, para me deixar em paz.
Mas o que eu fiz foi agradecer também, porque naquele momento difícil eu estava aprendendo — na marra — que precisava retomar o controle do meu ateliê, que estava sendo destruído por tudo isso, mas também por questões pessoais: burnout, depressão, ansiedade, saudades dos meus filhos, TDAH não tratado porque eu recusava tomar medicação (achando que o problema era “ser forte”, quando na verdade era uma questão de saúde).
Só que tudo que eu disse nesse áudio, tudo que eu revelei de mais íntimo, foi depois debochado por ela em público. O áudio foi repassado para outras pessoas e usado contra mim. Minhas dores viraram motivo de piada e ataques.
E aí, eu te pergunto:
Quem deveria desculpar quem nessa história?
Quem foi que realmente teve a vida destruída por causa de um vestido?
Vale mesmo a pena acabar com a vida de alguém porque não gostou do resultado de um vestido?
No fim das contas, um vestido é só isso. Vestido.
E a pergunta que fica: será que se eu fosse um estilista homem, padrão, famoso, ela teria feito a mesma coisa? Será que teria exposto e perseguido dessa forma? Ou teria aceitado o vestido e ainda se vangloriado por estar “usando a peça do estilista tal”?
Esse caso abre reflexões sérias sobre preconceito, ódio, e o machismo escancarado que existe na moda — está aí nos comentários pra quem quiser ver:
Me chamam de “costureira” como forma de me diminuir. Não tenho nenhum problema em ser chamada de costureira, o problema é que eu não sou costureira. Eu sou estilista, eu crio os vestidos. E existe, sim, diferença.
Engraçado que ESTILISTA homem nunca é chamado de “costureiro”. E quando corrige alguém, ninguém reclama, ninguém debocha.
Esse é o reflexo do machismo na moda.
Primeiro vou deixar aqui a transcrição completa do meu áudio de pedido de desculpas para a Aline, e depois faço uma conclusão geral desse caso para a gente seguir para o próximo
Transcrição completa do meu pedido de desculpas à Aline:
“Obrigada, obrigada por ter feito aquilo ontem, de verdade. Eu não tô debochando, não tô. Eu não sei, não posso explicar o porquê, mas de certa forma o que você fez ontem me levou de volta pra um lugar que eu precisava estar, com uma pessoa que eu precisava estar, da forma que eu queria estar.
Às vezes tem algumas dores que a gente sente na vida, Aline, e você só vai entender isso quando você passar por muita coisa ainda na sua vida. Você é muito nova ainda. Tem coisas que a gente precisa passar pra aprender a lição.
A primeira coisa que eu queria falar: obrigada. Obrigada porque ontem de manhã eu acordei… Por mais que eu tivesse com raiva de você, eu quero te contar uma história e queria muito que você ouvisse com calma, muita calma, porque eu entendi exatamente qual era o meu propósito, o que eu preciso fazer. Então, a primeira coisa que eu quero te falar é: muito, muito obrigada. Você me salvou ontem, me levou de volta pra um lugar que eu precisava estar. Obrigada de coração. Não tô debochando, ouça isso sem achar que é deboche. Tanto que eu nem tô te ligando, eu tô gravando esse áudio pra que você possa ouvir quantas vezes quiser.
E a outra coisa que eu quero te falar — essa sim eu quero que você ouça de coração aberto:
Me desculpa se eu não fui pra você o que você sonhou. Me perdoa se eu não fui o que você idealizou. Mas, antes de tudo, eu queria te perguntar uma coisa:
Você se desculpa? Você se perdoa todos os dias?
Porque, de verdade, eu vi seus vídeos. Você não tá bem. E isso não tem a ver com um vestido. Não tem a ver comigo, Juliana. Não tem a ver com a expectativa que você colocou em mim. Tem a ver com você. Tem alguma coisa dentro de você, e eu sei o que é isso porque, vai por mim, eu já fui essa pessoa. Já senti isso, Aline.
Você tem uma vida tão privilegiada que eu invejo de tantas maneiras. Você não merece, não merece carregar essa dor dentro de você, que eu senti vendo seus vídeos ontem — não só os sobre mim, vários vídeos seus. Eu não quero voltar a ser essa pessoa, eu já fui exatamente igualzinha a você, e sabe o que eu ganhei com isso?
Eu perdi amigos, afastei pessoas que me fizeram bem, simplesmente porque eu não fui grata o suficiente ou porque achava que as pessoas estavam ali pra me atacar. Você tem um marido incrível, uma mãe incrível, você é linda, você é perfeita pra sociedade, quase padrão, ninguém te olha estranho, ninguém duvida da sua capacidade, ninguém sente pena de você, e ainda assim você tá se sentindo sozinha, tá se sentindo triste… Por quê? O que tá faltando?
Não é um vestido que vai curar isso. Não é a minha atenção que vai curar isso. Quem pode curar isso é só você, eu te garanto.
Eu fiquei pensando nisso hoje de manhã:
‘Nossa, a Aline fala que é criadora de conteúdo. Mas que conteúdo você tá criando? O que você tá mudando na vida das pessoas?’
Você me seguiu por um motivo, lembra qual foi? Eu lembro. Porque eu mudo a vida das pessoas, não faço só vestido, você sabe disso. É muito mais que isso. Eu sei meu propósito hoje, e estou feliz com ele — depois de muito tempo.
Desculpa se eu não te dei atenção, eu não dei atenção nem pros meus filhos, nem pra mim, eu não me cuidei…
Teve dias que eu só queria morrer, mas eu não tinha coragem porque pensava ‘como é que eu vou foder a cabeça dos meus filhos do jeito que minha mãe fodeu a minha?’ Como vou viver vagando por esse mundo como espírito perdido, vendo meus filhos sofrerem? Porque eu não tive coragem de levantar.
Eu me curei. Não é fácil, te garanto, ainda não é. Todos os dias é uma luta: fazer o certo, ser gentil, ser grossa… Todo mundo tá travando uma batalha, Aline. Me desculpa se eu não percebi que você tava travando a sua. Me desculpa se eu não fui pra você o que você precisava. Mas, antes de eu ser pra você o que você precisa, você precisa ser pra você o que você precisa.
Você precisa se amar, encontrar alegria na sua vida. E te garanto, alegria não tá em milhões de seguidores. Pelo contrário: hoje, se eu pudesse escolher voltar a ser só Juliana, que ninguém conhecia, faria tudo pra voltar.
Mas, ao mesmo tempo, entendi que minha história ajuda milhares de pessoas. E é isso que eu quero te oferecer: ajuda, se você quiser.
Queria muito que você viesse aqui, queria te abraçar, te mostrar o propósito que você pode ter na vida. Reclamar das coisas não vai te levar a lugar nenhum. Você é linda, talentosa, acabou de se formar. Ache uma coisa que você ame, coloque toda sua energia nisso, seja gentil com as pessoas, pense no melhor, não no pior.
Queria te ver, mais uma vez te peço perdão. Você é incrível, tá carregando uma dor que não é sua. Pra quê? Por quê? Quem te feriu a ponto de te deixar assim?
Eu passei por coisas que eu te garanto: você nem estaria viva. Não falo nem 10% do que já passei, porque ninguém suportaria ouvir. E não é só a dor da queimadura, não é só preconceito. Eu passei por uma família que me tratou como lixo, como ‘cota’, por um pai que eu tinha que ficar calada, relacionamentos abusivos, porque aprendi que deveria dar meu corpo em troca de amor, que nunca poderia ser eu mesma, que ninguém me amaria por quem eu era… Só que sim, posso, e sim, alguém me ama por quem eu realmente sou.
Eu quero te dizer isso do fundo do coração, com uma paz imensa: queria te transferir essa paz.
Que o seu coração esteja em paz, que você se sinta amada. Fiquei feliz de fazer seu vestido, desculpa se não saiu como você queria. Pra mim, você estava perfeita. Fiquei chateada por não estar presente no dia que você buscou o vestido. Quando postou o vídeo, nunca recebi tantos elogios.
Em nenhum momento imaginei que você estava assim. Se quisesse ter sentado pra conversar, eu teria te recebido, abraçado, porque eu não sou essa pessoa e você sabe disso.
Se você quiser um abraço caloroso, queria que viesse na festa sábado comigo. Acho que você tá precisando de uma amiga, alguém pra ouvir suas dores. Você precisa se amar. Você só tá travada dentro de algo que te impede de ser o melhor de si.
Espero de verdade que você ouça meus áudios, que entenda, e espero de verdade que me desculpe — estou falando do fundo do coração, sem rancor. Ontem eu tinha, hoje não. Ontem acordei mal, cheguei em casa muito mal, pedi pra limpar esse ódio do meu coração, porque não queria sentir isso por ninguém, principalmente por quem eu não percebia qual era o problema.
Demorei pra entender, me desculpa por isso. Demorei pra entender onde estava o problema, e sinto te informar: o mundo não é um morango. Nem todas as pessoas vão te dar a atenção que você quer.
Por isso, é importante você se amar, se dar atenção, ser especial pra você. Porque quando você é especial pra você, o amor do outro é só bônus, complemento — não é o principal.
Desejo muita luz na sua vida, pra te ajudar nisso. Já vou ter ganhado muito mais do que se tivesse vendido 20 vestidos seus. Espero que a pessoa que ganhe ele se sinta tão bem quanto eu me sinto agora.
Sinto muito por tudo que eu te feri. Espero que você me perdoe e que a gente possa ressignificar isso. Porque na vida, sabe qual é o único caminho que não tem volta? A morte.
Não morra remoendo coisas que você não viveu. Alegria, você merece. Você é muito incrível, Aline. Um dia que eu te vi aqui, a gente ficou conversando, senti super sua amiga. Desculpa se no final eu tava tão corrida, tão ocupada, ano passado foi péssimo pra mim. Eu não tava bem.
Perdi o maior amor da minha vida, que eram meus filhos, abri mão porque acreditava nisso aqui. Não é por dinheiro, nem ganho dinheiro com isso, se soubesse… tô com contas pra pagar, orçamento atrasado, porque não tô bem. Quando não tô bem, não gosto de criar. Hoje eu tô bem. Você me deixou bem.
Hoje eu vou sentar, vou montar vestido da minha noiva cegas. Hoje eu tô bem, espero que um dia você acorde e fale: ‘Ju, eu também tô bem. Paz.’
Só espero isso: que você encontre a sua paz, porque ninguém te dá, só você se dá. Sinto muito se você tá sofrendo, já sofri também, e sabe o pior? Ninguém nunca me ofereceu ajuda, eu sofri sozinha, chorei sozinha, fui sozinha por muito tempo.
Agora não. Construí meu lar, minha família, coloquei pessoas que amo na minha vida e essas pessoas me ajudam todos os dias a enfrentar tudo isso. Encontre seu lar também, construa sua paz, vai te fazer bem. Que Deus te abençoe e que você possa resinificar tudo isso e que a gente possa rir disso juntas um dia.
Hoje à noite, ou o dia que quiser, eu vou avisar pro advogado que eu não vou entrar com processo. Não quero nada de você. Só quero que você fique bem, de coração. Tá bom?
Quando eu mandei esse áudio para a Aline, no dia 22 de abril, fazia dez dias que eu tinha terminado com o Fábio. Esse término aconteceu por questões que eu ainda vou relatar mais à frente, especialmente quando falar sobre o caso da Bell. O Fábio foi o primeiro homem da minha vida que eu amei de verdade, que me aceitou 100% como sou, mesmo em meio ao caos — um caos que não destruiu só a minha vida, mas a dele também. Ele perdeu muito, sofreu, e sofre até hoje, principalmente por me amar e ver o quanto tudo isso me abalou. Foi ele, inclusive, que quase me encontrou morta após uma tentativa de suicídio em abril desse ano, depois de tanto ódio e ataque vindos não só desse caso da Aline, mas de tudo o que vivi ao longo de quase um ano.
Na época, eu não quis aceitar que estava sofrendo. Passei dias fingindo estar bem, fingindo até pra mim mesma que nem gostava tanto assim dele. Mas a verdade é que sofri muito — calada, escondida, por uns dez dias. E aí, quando a Aline soltou o vídeo no dia 20, na segunda noite, na terça-feira eu acordei e gravei um vídeo de resposta, tomada pela raiva e falando coisas das quais me arrependo muito, porque sei que isso também contribuiu negativamente para minha imagem. Hoje, peço desculpas por isso. Só que naquele dia, a única coisa que eu queria mesmo era falar com o Fábio. Eu sabia que ele ia me entender, porque é uma das poucas pessoas que me conhece profundamente, nunca me julgou e sempre conseguiu enxergar o outro lado da história, me abraçar e me amar do jeito que eu realmente sou.
No final do dia 21, não aguentei e mandei mensagem pra ele, perguntando se a gente podia conversar. Ele já estava por dentro de tudo, já tinha visto o vídeo da Aline e, inclusive, estava com muita raiva — já tinha analisado tudo e disse que era óbvio que ela fazia aquilo para ganhar hype, porque muitos dos vídeos virais dela eram atacando alguém. Para ele, estava claro que ela estava tentando crescer na internet às custas disso. E eu, sinceramente, só queria conversar.
Acabei indo até a casa dele, com a ideia de conversar como amigos. Mas, ao chegar lá, a gente conseguiu alinhar tudo o que tinha acontecido — inclusive no caso da Bell, onde ele me mostrou os áudios e comprovou que, em nenhum momento, ele tinha sido grosseiro, que ele fez o melhor que pôde até não aguentar mais. E naquele momento, ele me falou que eu era a mulher da vida dele, que me amava muito. Ali eu percebi, sem dúvida, que ele era o homem da minha vida.
De certa forma, a lição que tirei de tudo isso é que a Aline, mesmo sem saber, acabou me trazendo de volta uma alegria que fazia falta: no dia 21 a gente voltou, teve uma noite linda e conversou de verdade. No dia seguinte, eu estava tão feliz, tão leve, que consegui criar um dos vestidos mais lindos da minha vida: o da noiva cegas, Maria Paula, que casou naquele sábado.
Lembro até hoje de como foi especial ver a Maria Paula realizada com o vestido que criei. E também lembro de me sentir decepcionada com a Aline, porque naquele momento ficou claro pra mim que o problema nunca foi a minha criação, mas sim uma questão pessoal dela, de querer ganhar mídia. Mas a maior lição veio da mãe da Maria Paula. No dia da revelação do vestido, quando a mãe dela viu a filha vestida de noiva, fez um discurso emocionante. Olhou pra Maria Paula, depois pra mim, e disse:
— Filha, o que eu sempre amei em você é que você nunca precisou roubar o brilho de ninguém pro seu brilhar. Continue assim, porque é assim que você vai longe na vida.
Naquele instante, eu entendi muita coisa.
Trabalho há mais de 15 anos com moda, já criei mais de 2 mil vestidos, já empoderei e realizei o sonho de tantas mulheres. Não preciso que todas venham a público para contar como eu mudei a vida delas — eu sei o impacto que causei e isso me basta.
O que entristece é ver uma geração de mulheres jovens usando a internet para atacar outras mulheres, como se o único caminho para crescer fosse diminuir o outro.
Infelizmente, esse é um reflexo da sociedade em que vivemos, em que a competição, a inveja e o ódio parecem valer mais do que o respeito, o apoio e a empatia.
E essa é apenas uma das muitas questões que ficam desse caso.
Nos próximos capítulos, vocês verão relatos ainda mais absurdos. E, mais uma vez, meu pedido: que ninguém use este espaço para espalhar ainda mais ódio ou atacar quem quer que seja. O objetivo do blog é esclarecer, não revidar. Justiça se faz com a verdade, não com vingança.


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